Um passeio brabo pela poesia popular em Pernambuco

Paulo Pereira e Leo Salo no Museu do Cordel

Eu, Leo Salo, escrevo em primeira pessoa desta vez. Foi  a forma mais honesta que encontrei para para fazer este registro aqui no blog brabo.

Na metodologia Ebrabo, a proposta é ter momentos de escuta, intervenção e expressão. Nesta perspectiva, o passeio brabo é o primeiro passo de atuação no território. Lembro (ou informo) ainda que somos um ponto de leitura itinerante, menos no sentido da literatura em si e mais no sentido de provocar a leitura de mundo e a leitura da própria história. A literatura propriamente dita, no entanto, é trabalhada no Projeto Geração da Leitura, com idosos do Abrigo do Cristo Redentor, em São Gonçalo, e algumas novas ideias têm surgido. Uma delas me fez pensar em fazer um laboratório em Pernambuco. Resolvi então fazer um passeio temático muito brabo “pela” poesia popular e pela literatura de cordel.

Precisamente na cidade de Caruaru-PE começa esta escuta e aprendizado sobre poesia popular. A primeira parte do passeio brabo foi no Museu do Cordel Olegário Fernandes , que fica na tradicional feira do Parque 18 de Maio, a Feira de Artesanato de Caruaru. O museu foi inaugurado em 1999 e homenageia o cordelista Olegário Fernandes da Silva, sendo atualmente dirigido pelo seu herdeiro, Olegário Filho.  Lá acontecem reuniões da Academia Caruaruense de Literatura de Cordel. Trata-se de um espaço de resistência cultural bastante interessante. Trago vários folhetos de lá.

Lá conheci Paulo Pereira:  poeta, cantor, compositor, sapateiro e sabe lá Deus o que mais… Uma grande figura! Conhecer o Museu do Cordel por si só já é um grande presente, mas uma prosa amistosa com Paulo Pereira foi a cereja do bolo, sem dúvidas. Paulo sabe de cor uma infinidade de poesias e recitou uma boa meia dúzia delas, todas narrando algum aspecto relacionado à vida simples que se vive ou se vivia no interior do Nordeste.  Aprender com seus versos, foi uma experiência extraordinária, assim como foi ouvir sua história de vida e sobre um passado nem tão distante cronologicamente, onde ainda se dava para contação de histórias, proseadas, música e poesia um pouco mais de espaço em nosso mundão cada vez mais tarja preta.

A segunda parte deste passeio brabo, foi em Recife. Lá conheci o poeta e pesquisador Meca Moreno e a editora Aninha Ferraz, da Editora Coqueiro, que editou vários folhetos de cordel muito importantes.  Novamente tive acesso à diversos folhetos e novamente a honra de conhecer outra grande figura de bastante conhecimento sobre a poesia popular brasileira. Se em Caruaru, tive uma aula de sabedoria popular, o saber acadêmico agora era a pauta do meu passeio brabo. Pude aprender um monte de coisas que jamais imaginava sobre este rico universo. Novamente, uma prosa recheada com muita generosidade. Gratidão!

A intenção de fazer novas experimentações no Projeto Geração da Leitura e por conseguinte o início de um matutar sobre novas possibilidades brabas me levaram para esse passeio. Estas perspectivas se reforçam com as reflexões trazidas na bagagem. Da Editora Coqueiro, aliás, já está chegando uma novidade muito bacana por aí, principalmente pra que for curioso por saber historias do pessoal do Experimentalismo Brabo..

Pode aguardar, por gentileza!

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