Memória de Manguinhos em Cordel – Tia Lauzinha

Tia Lauzinha

O Boteco da Lauzinha
Uma grande tradição
Que há mais de 20 anos
Na favela é atração
Quem conhece se encanta
Guarda o bar no coração

Carne seca, frango frito
Dobradinha, feijoada
Peixe, pirão e farofa
Camarão, carré, rabada
Mocotó, batata, queijo
E cerveja bem gelada

Tira-gosto e almoço
A comida é bem servida
Um bom papo, uma risada
Coisas boas dessa vida
No boteco chefiado
Por pessoa tão querida

Manguinhos tem muita arte
História e recordação
A Lauzinha muito sabe
E conta com emoção
As memórias da favela
Pergunte e dê atenção

Tinha o Clube dos 20
E o show do Juvenal
Quadrilhas, festa junina
Cultura sensacional
Bloco, Escola de Samba
Pra alegrar o carnaval

Hoje em dia muita coisa
Mudou em nossa favela
Outras instâncias surgiram
Na cultura sem balela
Se tens curiosidade
Venha e pergunte à ela

Vou contar só um pouquinho
Ouça bem com atenção
A história da Lauzinha
Em cordel, com emoção
Fatos sobre amiga nossa
Ditos com convicção

Nasceu em Itaguaí
Mas ainda bem novinha
Foi morar em outro canto
Cinco anos ela tinha
Quando veio pra Manguinhos
A nossa Tia Lauzinha

Sua avó, pessoa amada
Dos seus netos bem cuidou
Quando sua mãe partiu
Lauzinha órfã ficou
Mas teve o bom cuidado
Que sua vida marcou

Ela é Sebastiana
Nome pouco conhecido
Foi vovó, sua xará
Quem pensou no apelido
Para homenagear
Um sujeito bem querido

Lauzinha é apelido
Dado pelo compromisso
Com São Lázaro eu digo
Um santo insubmisso
Lauzinha é assim chamada
por conta de tudo isso

Ficou órfã muito cedo
Mas teve boa madrasta
Junto com seu irmãozinho
O orgulho de sua casta
Teve um pai atencioso
Dos filhos entusiasta

Teve infância na favela
Juventude e alegria
Vivia bem satisfeita
Gostava da cantoria
Que ouvia em muitos cantos
Coisa de categoria

Ajudava a cuidar
Das crianças do vizinho
Na casa dos amigos
Ganhava seu trocadinho
E quando fez 13 anos
Encontrou outro caminho

Tirou a sua carteira
De trabalho bem novinha
Funcionária dedicada
Muita garra ela já tinha
Na antiga Trevolí
Trabalhou Tia Lauzinha

Nesta fábrica de bolsas
Primeiro empregador
Foram dois anos lá dentro
Trabalhando com vigor
Mas quando foi demitida
Em casa mostrou seu valor

Um fogão e geladeira
Lauzinha patrocinou
Acabou cozer na lenha
Conforto proporcionou
Para a sua família
De que nunca declinou

Casou-se com gente boa
E foi bastante feliz
Um rapaz da Paraíba
Ela mesma é quem diz
Foi um bom marido e pai
Foi tudo como Deus quis

No começo dessa fase
Trabalhava na costura
De lá tirava sustento
Em tempos de ditadura
Seguiu firme, confiante
Com muita força e candura

Com muita dignidade
Seguiu sempre trabalhando
Com ajuda do seu pai
Os seus filhos seguiu criando
Sempre comunicativa
Manguinhos foi conquistando

2 filhos do casamento
Que lhe deram 4 netos
Motivo de muito orgulho
De sorrisos e afetos
Muito em breve eu te falo
Como serão os bisnetos

Mônica pedagoga
Ricardo coordenador
Uma bem estudiosa
Outro tão batalhador
São presentes nessa vida
Pra Lauzinha o resplendor

Quando se aposentou
O Boteco então abriu
Esse que é tão famoso
Lugar que o mundo já viu
É notícia no jornal
Para todos no Brasil.

Esse cordel bem cantado
Vai servir para fazer
Um singelo elogio
Com orgulhe e com prazer
Mulher negra sábia e forte
Sua história vim trazer

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Tia Lauzinha

Autor: Leo Salo

Ilustração: Tiago Carva

Projeto Memória de Manguinhos em Cordel

Agosto/2017

APOIO: Awesome Foundation e Boteco da Tia Lauzinha

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