Memória de Manguinhos em Cordel – Celeste Estrela

Uma estrela mineira
Brilha muito na favela
É orgulho de Manguinhos
Você sabe o nome dela?
Hoje eu falo de uma artista
Da verdade, sem balela

Reloginho anuncia
A hora de acordar
Madrugada triste
Na favela há de findar
Lá no beco tem Celeste
Sonho e vida vai nos dar

Eu vou contar um pouco
Dessa importante história
Pra ficar bem registrado
Vamos construir memória
Viva a arte de Manguinhos
Que merece a sua glória

Vovó de Dona Celeste
Era grande contadora
Foi relíquia nas histórias
Verdadeira professora
Influenciou a neta
Criança tão promissora

Mas vovó foi lá pro céu
Celeste pro internato
Estudou quase 10 anos
Levou à sério de fato
Encenou primeiras peças
Sempre tinha um grande ato

Muitas peças na escola
Em festas e feriados
As famílias assistiam
Eram dias planejados
Celeste e seus colegas
Sempre bem ensaiados

Quando tinha 13 anos
Para o Rio se mudou
Foi morar lá no Caju
Cedo sempre acordou
Tinha fibra e coragem
Mas um sonho se apagou

Nas casas de família
A Celeste trabalhou
Ganhando o seu dinheiro
Ela muito batalhou
Era pouco, mas rendia
Destino que lhe calhou

Pra casa ela só ia
Domingo depois do almoço
Trabalhava noite e dia
Na semana um alvoroço
Nem sobrava quase tempo
Pra flertar um belo moço

Quando se acostumou
Na casa onde morava
Veio a tal da remoção
A ponte se instalava
Tem que sair do Caju
Ir pra onde alguém mandava

Os homens da prefeitura
Escolheram o lugar
Falaram que em Manguinhos
Celeste ia morar
Ela e outras famílias
Hora de recomeçar

Em Manguinhos muita gente
Foi morar por remoção
O bairro foi crescendo
Envolvendo a fundação
Que fabricava vacina
Para toda população

Manguinhos era palco
De um show fenomenal
Zona Norte conhecia
Salve o Show do Juvenal
Atração bem afamada
Deu na Rádio Nacional

Era um show de talentos
Famoso bem resolvido
Todo mundo assistia
O programa tão querido
Canto de Dona Celeste
Era muito aplaudido

Tinha bloco, muito samba
Que depois virou escola
Festivais e brincadeiras
Na rua jogavam bola
Lugar pobre e feliz
Alegria na cachola!

Trabalhou de cobradora
Na extinta CTC
Lá veio grande mudança
Olha só, veja você
O talento da Celeste
Muito foi aparecer

Além de contar passagem
E alegrar a condução
Montou grupo de teatro
Fez uma feliz ação
Mostrou para seus colegas
Arte feita com emoção

Mas quando de lá saiu
Veio grande desafio
Uma grave doença
Trouxe dor e calafrio
Houve médico dizendo
Vida estava por um fio

Mas a arte salva ela
Da doença e do mal
É artista da novela
Deu em rede nacional
Fez curso de teatro
Com Sininho, a maioral

Não posso esquecer
Que Celeste abençoada
Foi cantora integrante
Do Música na Calçada
Ensaiava e encantava
Sempre bem interessada

Falei só um pouquinho
Dessa mulher talentosa
É mineira mas alegra
A cidade maravilhosa
Em diversos segmentos
Uma artista habilidosa

Celeste é poetisa
Cantora e escritora
Mulher negra de coragem
Das histórias contadora
É atriz e mais que isso
No teatro é diretora

Por isso eu sempre digo
Tem que olhar pra favelas
Pois há muita arte e vida
Escondida dentro delas
Gente nobre, de valor
Nos seus becos e vielas

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Celeste Estrela

Autor: Leo Salo

Ilustração: Tiago Carva

Projeto Memória de Manguinhos em Cordel

Agosto/2017

APOIO: Awesome Foundation e Boteco da Tia Lauzinha

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