Projeto Geração da Leitura

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PROJETO GERAÇÃO DA LEITURA

Promoção da leitura para além do simples ato de ler. Ouvir e contar histórias: provocar e leitura de mundo, a leitura de si mesmo. Valorizar a memória dos idosos do Abrigo do Cristo Redentor. Esta é a geração da leitura em São Gonçalo!

REALIZAÇÃO: Experimentalismo Brabo.

APOIO: Secretaria de Cultura do Estado do Rio de Janeiro (obtido por meio do edital Pontos de Leitura).

PERÍODO DE EXECUÇÃO: Janeiro de 2014 a Junho de 2015.

OBJETIVO.

Estimular o intercâmbio cultural entre idosos, visitantes e funcionários do Abrigo do Cristo Redentor, realizando atividades artísticas e culturais, que permitiram a construção da memória e a valorização da cultura e da história de vida dos idosos abrigados.

JUSTIFICATIVA.

Diversas são as situações que levam o idoso à condição asilar: dificuldade econômica, desentendimentos na família, solidão, abandono, doenças crônicas, doenças mentais, deficiência física, dependência, etc. As chamadas instituições de longa permanência para idosos acabam, desta forma, representando a última moradia de um considerável contingente de pessoas com 60 anos ou mais. Estudos científicos apontam o isolamento social, o abandono de si mesmo, a solidão e a depressão como fatores que provocam ou agravam uma série de doenças, prejudicando a qualidade de vida do idoso.

Por esta razão, a realização de atividades que lhes proporcionem a alegria e a expressão sobre suas memórias e histórias de vida já são por si só uma grande necessidade, validada pelo Estado Brasileiro, que dispõe de uma legislação federal específica (a lei n°10.741, de 01 de Outubro de 2003), assegurando ao idoso o direito ao envelhecimento saudável, com qualidade de vida, bem como à cultura e ao lazer que respeitem suas condições peculiares de idade.

O Experimentalismo Brabo, entretanto, deu um passo adiante e propôs um convite para que alunos oriundos de escolas do município também participassem de atividades que permitam ao idoso protagonizar sua própria história, incentivando a troca cultural entre gerações.

ATIVIDADES.

 Passeio brabo –  uma dupla de palhaças (Primeira Dama e Lelê Vitta) promoveu intervenções regulares no ACR, interagindo com idosos, funcionários e visitantes. A “brabeza” da vida coletiva pressupõe uma necessidade de escuta. Ouvir o que o outro tem a dizer e mesmo o que o outro tem a calar. Para além do entretenimento, a arte da performance foi realizada numa proposta de diagnóstico e leitura dos idosos, considerando-os seres únicos e expressivos.

 Cortejo brabo –  o poder, a poesia e a brabeza da música, da palhaçaria e da contação de histórias em uma incursão por todos os pavilhões do ACR, oferecendo aos idosos a possibilidade de ouvir, dançar, tocar, cantar e recitar canções e poesias que se coadunam com seu universo cultural particular e comunitário.

 Encontro brabo de gerações com temáticas que promoveram o protagonismo do idoso e de sua própria cultura e história de vida, em atividades de troca cultural entre diferentes gerações.

 Promoção da leitura –  foram adquiridos 204 livros, com diferentes temáticas para a utilização nas contação de histórias e demais atividades do Projeto Geração da Leitura. Alocados em uma estante na Sala da Terapia Ocupacional, os livros foram doados ao Abrigo do Cristo Redentor de São Gonçalo.

METODOLOGIA.

A tecnologia social Ebrabo foi utilizada no Projeto Geração da Leitura. A proposta arrola três momentos distintos: mapeamento, intervenção e expressão. Os “passeios brabos” tiveram como resultado um mapeamento de temáticas, que direcionaram a aquisição do acervo e as atividades de palhaçaria, bem como a temática das atividades de contação de histórias e a escolha das músicas tocadas durante as atividades. Estes movimentos traduzem as etapas de mapeamento e intervenção. A última etapa, a de proporcionar a oportunidade de expressão, foi trabalhada nos encontros brabos de gerações, realizados em escolas do município e no próprio Abrigo do Cristo Redentor.

EQUIPE:

 Direção: Leo Salo (mestre em ciências, palhaço, poeta e agitador cutlural).

 Palhaças: Karen Guimarães – “Primeira Dama” (mestre em ciência da informação, palhaça e bibliotecária) e Rafaele Reis – “Lelê Vitta” (bacharel em história, palhaça e produtora cultural).

 Contadoras de Histórias: Melissa Coelho (atriz, contadora de histórias e bonequeira), Cristina Pizzotti (jornalista e contadora de histórias) e Camila Lima (bibliotecária e contadora de histórias).

 Ator: Eduardo Ramos (ator, produtor e agitador cultural).

 Músicos: Igor Santos (músico, mediador social e produtor cultural) e Léo Gonzaga (musicoterapeuta).

CONSIDERAÇÕES FINAIS.

A “geripalhaçaria” tem mostrado bons resultados e infindáveis possibilidades de interação no Abrigo do Cristo Redentor. O riso não é o principal elemento a ser buscado na interação, mas sim o encontro e a possibilidade da construção de um jogo individual de acordo com a cultura e história de vida de cada idoso, funcionário ou visitante. A partir deste encontro, que se desenvolvem as ações que poderão em um segundo plano trabalhar o riso, a provocação, a escuta, a poesia, dentre outras possibilidades.

Para fins do atual trabalho, coube ao palhaço o desafio de pensar como a imagem e a estética do palhaço poderiam ser utilizados para o mapeamento de temáticas que dialogam com a história de vida dos idosos, para a partir desta leitura, adquirir o acervo de livros e elaborar os cortejos musicais e as atividades de contação de histórias.

Além de atividades no Abrigo do Cristo Redentor de São Gonçalo, o projeto também realizou ações nos seguintes locais: Museu Da Vida/COC/FIOCRUZ (Rio de Janeiro); Rede CCAP/Espaço Casa Viva (Rio de Janeiro); Projeto Social Craque do Amanhã (São Gonçalo); Programa de Atenção à Saúde do Idoso/Centro de Saúde Escola Germano Sinval Faria (Rio de Janeiro); Horto do Barreto – Parque Palmir Silva (Niterói); Escola Municipal André Trouche (Niterói); Escola Municipal Rotary (São Gonçalo) e Escola Municipal Darcy Ribeiro (São Gonçalo).

DESDOBRAMENTOS.

Ao final deste projeto, o grupo Experimentalismo Brabo conta com 5 voluntários que continuam a visitar mensalmente o abrigo. Todavia, o Ebrabo busca apoio financeiro para que possa ser feito um trabalho mais continuado e cuidadoso. O grupo segue agora com com o Projeto Carlos Alberto Marinheiro, que além dos desafios do Projeto Geração da Leitura, assume o desafio de criar e desvendar histórias do abrigo.